3/27/2006

Buriti ganha o mercado

Quando a gente toma conhecimento que uma comunidade do interior amazônico agrega valor a um produto existente na floresta, isso dá um ânimo enorme porque mostra que é possível tirar valor daquilo que aparentemente só serve para uso local. A experiência da comunidade de Santo Antônio de Abonari, no município de Presidente Figueiredo, no Estado do Amazonas, é altamente alentadora. A produção artesanal de óleo de buriti (miriti para as populações das várzeas do Baixo-Tocantins, no Pará) está fazendo a diferença para as 145 famílias da comunidade. Tanto o cultivo como o extrativismo da fruta são considerados uma prática sustentável de manejo pelo FSC, o que assegura maior trânsito na circulação do óleo junto à indústria de cosmético. Em 2005 a comunidade produziu 6 mil toneladas de óleo de buriti. Mas trabalha também na comercialização, ainda em menor escala, de óleo de pupunha, bacaba e patuá. O breu-branco, uma resina extraída de uma árvore nativa da floresta amazônica, também faz parte do mix de produtos da comunidade, que conta com apoio do principal comprador, a indústria Crodamazon, e da ONG Amigos da Terra. Evidentemente que isso não aconteceu do dia para noite. Os pequenos produtores tiveram que se associar, formatar um projeto e buscar ajuda para treinamento nas práticas de manejo e de extração do óleo, além, é claro, de contar com uma boa assessoria para colocar o produto no mercado. Mas todo mundo sabe que as indústrias de cosméticos estão sedentas por novos produtos, especialmente de uso sustentável. Muitas vezes elas até ajudam a financiar os equipamentos e o treinamento da mão-de-obra, o que acaba por elevar o seu custo de produção. Entretanto também é sabido que essas empresas tiram proveito disso. Fazem o marketing sobre a origem do produto e acabam também vendendo por um preço que compensa o investimento. O buriti, além de óleo, serve para a produção de vinho e doce, consumidos pelas comunidades ribeirinhas da Amazônia. Contém vatamina C e A, rica em betacaroteno, que além de fazer bem à saúde, serve também para bronzear a pele. No Baixo-Tocantins, parte da palmeira é utilizada para a confecção de brinquedos, que são vendidos na época do Círio de Nazaré, em Belém. No Maranhão o doce de buriti tem grande aceitação no mercado local e é produto bastante demandado pelos turistas. O fruto castanho-avermelhado, de superfície revestida por escamas brilhantes, tem a forma oval e dura. Para obter a polpa é preciso colocar o fruto de molho ou abafar para que a amêndoa amoleça. A polpa tem a cor predominantemente amarela. Congelada, dura mais de um ano. E serve para fazer sorvetes, geléias, cremes e licores. A palmeira do buriti frutifica de dezembro a junho. E onde brota é sinal que tem água. Em algumas regiões ribeirinhas o tronco da árvore funciona como bóia para atracação de canoas. Existem outros produtos da rica biodiversidade amazônica que ainda são desconhecidos do grande público. Mas têm grande utilidade para as comunidades regionais. E a exemplo do buriti, do açaí e da andiroba, podem ganhar mercado. É o caso do fruto do cumaru, que produz um óleo de grande valor para as indústrias cosmética e farmacêutica. O que é preciso para dar um saldo de qualidade a essa produção é que as lideranças comunitárias busquem apoio de organismos de fomento ou de empresas que investem no marketing que valoriza os produtos naturais. Com um bom projeto, que assegure regularidade de matéria-prima, produto, qualidade e compromisso coletivo, não é difícil de encontrar instituições e entidades interessadas em vincular sua imagem a quem trabalha com o conceito de desenvolvimento sustentável. (*) Paulo Roberto Ferreira é jornalista (prferreira@estadao.com.br)

3 Comments:

Blogger ESCRAVOS DA VIDA said...

E hoje? como está essa produção e qualidade?

5:00 PM  
Blogger ESCRAVOS DA VIDA said...

E hoje? Como está essa fábrica de éleo de buriti? Ainda funciona? Qual a sua produção? Para onde ela vai?

5:01 PM  
Blogger ESCRAVOS DA VIDA said...

E hoje? como está essa produção e qualidade?

5:02 PM  

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